“Sobreviver em Tarrafal de Santiago”, publicado em 1985, é uma obra fundamental do poeta angolano António Jacinto, reunindo um conjunto de poemas escritos durante o seu longo período de encarceramento no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. A obra não segue uma trama linear tradicional, mas constrói uma narrativa poética poderosa sobre a experiência da prisão, a resistência e a esperança. Os poemas refletem o quotidiano desumanizante do campo, a saudade da pátria distante (Angola) e a firmeza ideológica do eu-lírico, que se recusa a ser quebrado pelo sistema colonial. Através de uma linguagem que mescla o lirismo com a denúncia, Jacinto explora a dor do exílio, a memória dos companheiros de luta e a natureza de Cabo Verde, que se torna simultaneamente um cenário de aprisionamento e uma fonte de inspiração poética. O livro é um testemunho da resiliência do espírito humano e um hino à liberdade, onde a escrita se afirma como um ato de sobrevivência e de combate. A obra transcende o relato pessoal para se tornar um símbolo da luta anticolonial, documentando a brutalidade do regime e a inabalável vontade de regressar a uma Angola livre. A sua estrutura poética permite uma exploração profunda dos estados de alma, da solidão e da certeza do regresso, encapsulada no verso “Resistir! Viver para regressar!”.