Publicado em 1862, ‘Amor de Perdição’ é uma novela exemplar do ultrarromantismo português, escrita por Camilo Castelo Branco durante o seu tempo na prisão. A obra narra a trágica história de amor entre Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, jovens de famílias rivais em Viseu. Simão, um estudante de Coimbra com um passado de rebeldia, apaixona-se por Teresa, e o sentimento é recíproco. No entanto, o ódio entre as suas famílias impede a união. O pai de Teresa, Tadeu de Albuquerque, opõe-se firmemente ao romance e promete a mão da filha ao seu sobrinho, Baltasar Coutinho. Perante a recusa de Teresa, ele a encerra num convento. Simão, desesperado, tenta resgatá-la, mas o conflito escala tragicamente quando ele mata Baltasar numa emboscada. Recusando-se a fugir, Simão entrega-se à justiça e é condenado ao degredo na Índia. Durante todo o processo, ele é auxiliado por Mariana, filha de um ferreiro, que nutre por ele um amor silencioso e sacrificial. A narrativa atinge o seu clímax com a partida de Simão para o exílio. Do navio, ele avista Teresa no convento, que morre de desgosto ao vê-lo partir. Pouco depois, Simão sucumbe a uma febre a bordo e o seu corpo é lançado ao mar. Mariana, que o acompanhava, num ato final de devoção, atira-se também às águas, selando o destino trágico dos três. O estilo de Camilo Castelo Branco caracteriza-se por uma narrativa rápida, com capítulos curtos e uma linguagem que oscila entre o sentimentalismo e a ironia. O narrador é uma presença constante, dialogando com o leitor e comentando os acontecimentos, o que intensifica a carga dramática. A obra é um expoente do amor-paixão, onde o sentimento é uma força avassaladora que conduz os protagonistas à perdição, em confronto direto com as convenções sociais e a honra familiar. A sua recepção foi imediata, consolidando Camilo como um dos maiores escritores de língua portuguesa e tornando ‘Amor de Perdição’ um clássico intemporal da literatura.