“Viragem”, publicado em 1957, é um romance fundamental do escritor angolano Castro Soromenho e uma obra marcante do neorrealismo português e da literatura de denúncia anticolonial. A narrativa mergulha na dura realidade do interior de Angola sob o domínio colonial português, expondo as complexas e tensas relações entre colonos, funcionários da administração, comerciantes e as populações nativas. A trama desenrola-se em torno das vivências de um grupo de personagens que representam as diferentes facetas da sociedade colonial, destacando-se a exploração, a violência, a corrupção e a desumanização impostas pelo sistema. A história não se foca num único protagonista, mas antes num painel social onde as ambições frustradas dos colonos, a brutalidade dos capatazes e a resistência silenciosa ou a assimilação conflituosa dos angolanos são retratadas de forma crua e realista. Através de episódios que revelam a injustiça social, a degradação moral e o choque cultural, Soromenho constrói uma crítica contundente ao projeto colonial do Estado Novo, desmistificando a propaganda de uma missão civilizadora e revelando um cenário de opressão e conflito. O estilo do autor é direto, seco e vigoroso, utilizando uma linguagem que reflete a aspereza do ambiente e das interações humanas que descreve, consolidando a obra como um testemunho poderoso e um ato de coragem política.