Em ‘Lueji, o nascimento de um império’, Pepetela constrói uma narrativa original e complexa, que entrelaça as histórias de duas mulheres, Lu e Lueji, separadas por quatrocentos anos, mas unidas por uma trajetória comum de confronto com o mundo e de busca pela sua identidade. A narrativa desdobra-se em dois tempos: o passado, no século XVII, onde a princesa Lueji, após a morte do seu pai, se torna a rainha do reino da Lunda, e o presente, onde Lu, uma bailarina angolana, vive em Paris e se debate com as suas raízes e com a sua identidade cultural. A trama de Lueji é marcada pela violência e pela luta pelo poder. A jovem princesa, após uma violenta disputa com o seu irmão Tchinguri, que culmina na sua fuga e numa visão mística no lago da sua infância, regressa para assumir o trono. A sua liderança é desafiada, e ela tem de se impor num mundo dominado por homens, utilizando a sua inteligência e a sua força para consolidar o seu poder e fundar um império. Por sua vez, a história de Lu, no século XX, espelha a de Lueji, ainda que num contexto diferente. A bailarina, ao dançar a história da rainha Lueji, mergulha num processo de autoconhecimento e de redescoberta da sua herança cultural. A sua luta é travada no palco, mas também no seu íntimo, onde se confronta com o preconceito e com a necessidade de afirmar a sua identidade angolana num mundo globalizado. O estilo de Pepetela é marcado por uma prosa envolvente e poética, que capta a essência da cultura e da história de Angola. O autor recorre a uma linguagem rica e a uma estrutura narrativa não-linear para criar um universo ficcional fascinante, onde o mito e a realidade se entrelaçam de forma harmoniosa. A obra é um marco da literatura angolana e um testemunho do poder da ficção para resgatar e reinterpretar a história de um povo.